Reviravolta na Itália: Carla Zambelli não será extraditada ao Brasil após condenação pelo STF
Suprema Corte da Itália decide contra extradição de Carla Zambelli, revertendo decisão anterior
A mais alta Corte da Itália, a Suprema Corte de Cassação, proferiu nesta sexta-feira (22) uma decisão que impede a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. Esta nova sentença reverte o entendimento da Corte de Apelação italiana, que em março deste ano havia autorizado o retorno da parlamentar ao país sul-americano.
A decisão da Suprema Corte não apenas barra a extradição, mas também determinou a liberação de Carla Zambelli, que estava detida em uma penitenciária feminina nos arredores de Roma. Segundo seu advogado, Alessandro Sammarco, a ex-deputada agora permanecerá no país europeu enquanto o processo avança.
Apesar do esgotamento das vias judiciais na Itália, o caso ainda passará pelas mãos do Ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio. Ele terá um prazo de 45 dias para emitir um parecer, que pode ser favorável ou contrário à extradição, conforme apurado em reportagem.
Condenação no Brasil e Fuga para a Europa
O pedido de extradição de Carla Zambelli foi feito pelo Brasil após sua fuga para a Europa, ocorrida em maio, logo depois de sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O STF a sentenciou a 10 anos de prisão em regime inicialmente fechado pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A ex-deputada, que possui cidadania italiana, também passou pelos Estados Unidos antes de se estabelecer na Itália. Sua saída do Brasil após a condenação a tornou considerada foragida pela Justiça brasileira, intensificando a busca por seu retorno.
Crimes e Motivações da Condenação pelo STF
A condenação de Carla Zambelli pelo STF, em maio de 2025, foi unânime e baseada nos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. O ministro relator, Alexandre de Moraes, propôs a pena de 10 anos de prisão, perda do mandato parlamentar e inelegibilidade.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou Zambelli e o hacker Walter Delgatti de coordenarem ataques aos sistemas do CNJ. O objetivo, segundo a denúncia, era desacreditar a Justiça brasileira e incitar atos antidemocráticos, incluindo a inserção de documentos falsos, como um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Outra Condenação e Perda do Mandato
Além da condenação pela invasão do CNJ, Carla Zambelli enfrentou outra decisão desfavorável do STF enquanto já estava na Itália. Ela foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo, devido a perseguição armada a um homem em São Paulo em 2022.
O STF também determinou a perda imediata do mandato de Zambelli. Essa decisão foi inicialmente comunicada pelo ministro Alexandre de Moraes, que anulou a decisão da Câmara dos Deputados que a mantinha no cargo. Posteriormente, a Primeira Turma do STF confirmou, por unanimidade, a perda do mandato parlamentar, consolidando o afastamento de Zambelli da vida política brasileira.

