Energia Solar Supera o Gás: Relatório Revela Ascensão Imparável da Energia Limpa Globalmente
Energia Solar Desponta Como Líder Global em Crescimento Energético
Um novo e abrangente relatório divulgado pelo grupo de análise climática e energética Ember aponta para uma transformação radical no panorama energético global. A energia solar está, de fato, superando o crescimento do gás natural em escala mundial, sinalizando uma mudança de paradigma impulsionada por fatores econômicos e de segurança energética. O estudo revela que 61 de 124 economias que utilizam gás para geração de eletricidade já atingiram o pico de sua produção de energia a gás, um marco significativo que inclui potências industriais como Reino Unido, Alemanha, Itália e Japão, membros do G7.
Essa inversão de tendência é evidenciada pela queda contínua na participação do gás natural na matriz elétrica global. Pelo quinto ano consecutivo, a fatia do gás diminuiu, recuando de 23,9% em 2020 para 21,8% em 2025. Embora a geração total de energia a gás tenha apresentado um leve aumento, o ritmo de crescimento desacelerou drasticamente. Isso se deve, em grande parte, à capacidade de fontes renováveis, como a solar e a eólica, em atender à crescente demanda mundial por eletricidade.
A análise do Ember destaca a impressionante expansão da energia solar em 2025, com um crescimento de 636 terawatts-hora (TWh). Em comparação, a geração de energia a gás expandiu-se em meros 38 TWh no mesmo período. A energia solar foi responsável por absorver aproximadamente 75% do novo crescimento na demanda global de eletricidade no ano passado, enquanto o gás contribuiu com apenas cerca de 5%. Essa disparidade sublinha a rapidez com que as energias renováveis estão assumindo a dianteira no suprimento de novas necessidades energéticas.
A Concorrência Econômica e de Segurança Energética Favorece as Renováveis
Malgorzata Wiatros-Motyka, analista sênior de eletricidade no Ember, ressalta que a convergência entre a viabilidade econômica e a segurança energética está impulsionando essa transição. “À medida que as renováveis reduzem os custos, ao mesmo tempo em que diminuem a exposição a choques de preços de combustíveis e a interrupções geopolíticas, o gás está perdendo gradualmente as vantagens que um dia o tornaram o combustível padrão para o crescimento do sistema de energia”, explicou.
As condições que outrora favoreciam o gás como um “combustível de transição” foram rapidamente alteradas nos últimos anos. A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 expôs os riscos inerentes à dependência de combustíveis fósseis importados, provocando picos de preços que levaram a Europa e a Ásia a acelerar a implantação de energias renováveis. Mais recentemente, as perturbações no mercado de Gás Natural Liquefeito (GNL), ligadas a conflitos no Oriente Médio, intensificaram essas preocupações, reforçando a necessidade de fontes de energia mais estáveis e domesticamente disponíveis.
“Crises geopolíticas recentes evidenciaram os riscos de depender do gás importado”, acrescentou Wiatros-Motyka. “Os países estão cada vez mais recorrendo às renováveis porque são disponíveis domesticamente, mais estáveis em termos de preço e mais rápidas de implementar.” Essa busca por autonomia energética e estabilidade de custos é um fator crucial na decisão de investir em fontes limpas e locais.
Concentração Geográfica do Crescimento do Gás e o Papel das Nações Desenvolvidas
O relatório também aponta que o crescimento da geração de energia a gás está se tornando mais concentrado geograficamente. Os Estados Unidos, por si só, foram responsáveis por 26% da geração global de eletricidade a gás em 2025, emergindo como o principal motor desse crescimento na última década. Em contraste, dentro dos países do G7, a geração a gás sofreu uma redução de 50 TWh em 2025, enquanto as energias renováveis experimentaram um aumento expressivo de 123 TWh.
Essa dinâmica demonstra que as nações industrializadas estão ativamente buscando reduzir sua dependência de combustíveis fósseis. As renováveis geraram quase a mesma quantidade de eletricidade que o gás em toda a região do G7 no ano passado, um feito notável que contribuiu para que a energia limpa superasse a geração fóssil como um todo no bloco econômico. Essa transição acelerada no G7 envia um sinal forte para o resto do mundo sobre a viabilidade e os benefícios das energias renováveis.
Economias Emergentes Pulam a Fase do Gás em Busca de Energia Limpa
Um dos aspectos mais notáveis da análise é a forma como grandes economias emergentes estão expandindo sua capacidade energética sem uma dependência significativa do gás. China, Índia e Brasil, que juntos representam cerca de 42% da demanda global de eletricidade em 2025, mantiveram o uso de gás em níveis relativamente baixos em suas matrizes energéticas. Essa abordagem estratégica permite que esses países atendam ao crescimento de sua demanda de forma mais sustentável e econômica.
Na Índia, a participação do gás na matriz elétrica caiu drasticamente de 12,6% em 2010 para apenas 2,3% em 2025. O Brasil, por sua vez, viu a participação do gás diminuir de 13,7% em 2014 para 7,3% atualmente. Mesmo a China, apesar do seu enorme crescimento na demanda por eletricidade, manteve a contribuição do gás em torno de 3% de sua matriz. Essa tendência global indica uma priorização crescente de eletricidade limpa produzida domesticamente, visando maior acessibilidade, segurança energética e competitividade industrial.
Com quase metade das economias que geram energia a gás já tendo ultrapassado seu pico de produção e as energias renováveis continuando sua expansão acelerada, o relatório sugere que o mundo pode estar se aproximando do pico global de geração de energia a gás. Essa perspectiva otimista reforça a viabilidade de um futuro energético mais limpo e sustentável, onde o sol e o vento desempenham um papel central no suprimento das necessidades energéticas globais.

