Vendas Globais de Elétricos Disparam em Maio: Europa Lidera Rumo a 7,5 Milhões de Unidades no Ano
Europa Desponta Como Líder em Vendas de Veículos Elétricos em Maio
O mercado global de veículos elétricos (VEs) registrou um volume expressivo em maio de 2026, atingindo 1,8 milhão de unidades comercializadas. Este desempenho robusto eleva o total de vendas nos primeiros cinco meses do ano para 7,5 milhões de veículos, um aumento de 3% em relação a maio de 2025 e 7% superior a abril de 2026. A dinâmica do mercado global continua a ser definida por três regiões com trajetórias distintas: a Europa em franca expansão, a China em processo de recuperação após um início de ano mais lento e a América do Norte mantendo uma tendência de retração.
Charles Lester, Gerente de Dados da Benchmark Mineral Intelligence, destaca a Europa como o mercado de VEs de maior performance em 2026. Esse cenário positivo é impulsionado por incentivos governamentais eficazes e pela elevação contínua dos preços dos combustíveis fósseis, fatores que tornam os veículos elétricos cada vez mais atrativos para os consumidores europeus.
Europa Sustenta Crescimento com Apoio Governamental e Aumento nos Preços de Combustíveis
A Europa emerge como o destaque no cenário de veículos elétricos em 2026, apresentando um crescimento acumulado de 26% no ano. Esse avanço é significativamente apoiado por políticas de incentivo e pela crescente presença de fabricantes chineses no continente. A persistência de preços elevados para combustíveis, somada às incertezas geopolíticas no Oriente Médio, sugere que a tendência de valorização da gasolina continuará sendo um fator a ser observado de perto nos próximos meses, reforçando a vantagem competitiva dos VEs.
Em maio, as vendas de VEs na Europa registraram uma alta de 23% em comparação com o mesmo período do ano anterior e um aumento de 2% em relação a abril. No acumulado do ano, o crescimento alcança 26%, consolidando a força do mercado europeu. Os subsídios governamentais desempenham um papel crucial no estímulo à demanda em diversos países, enquanto o aumento dos custos de abastecimento de veículos a combustão torna os elétricos uma opção financeiramente mais vantajosa para os consumidores.
Paralelamente, veículos elétricos de fabricação chinesa vêm conquistando participação de mercado na Europa, mesmo diante da imposição de tarifas pela União Europeia sobre BEVs (Battery Electric Vehicles) chineses e de programas de subsídios que favorecem modelos produzidos localmente. No Reino Unido, por exemplo, 32% dos VEs vendidos neste ano até o momento foram fabricados na China, enquanto na Alemanha esse índice é de 14% e na França, de 10%.
A estratégia de fabricantes chineses tem se voltado cada vez mais para o estabelecimento de unidades de produção na Europa, em vez de apenas exportar veículos. A Stellantis confirmou o início da produção do modelo B10 da Leapmotor em sua fábrica próxima a Zaragoza, na Espanha, a partir do segundo semestre de 2026, com planos para mais três modelos da marca. A Stellantis também estaria avaliando a fabricação de veículos da Dongfeng na Europa. Conversações entre Ford e Geely sobre a venda parcial de sua planta em Valência, Espanha, foram confirmadas. Nissan e Chery continuam sendo associadas a planos de produção de veículos Chery na fábrica da Nissan em Sunderland, Reino Unido.
A SAIC-MG anunciou recentemente planos para uma nova fábrica na Espanha, com capacidade de produção de até 120.000 veículos anualmente até 2028. A BYD, por sua vez, tem previsão de iniciar a produção na Hungria no final de 2026, embora planos para uma fábrica na Turquia tenham sido supostamente pausados.
América do Norte Enfrenta Estagnação nas Vendas de Veículos Elétricos
Em contraste com o otimismo europeu, o mercado de veículos elétricos na América do Norte continua a apresentar um quadro desafiador. As vendas na região como um todo caíram 26% em maio em comparação com o ano anterior e acumulam uma retração de 25% no ano até o momento, embora tenham apresentado uma leve alta de 3% em relação a abril. Essa desaceleração é atribuída à revisão de planos por parte das montadoras, ao cancelamento do crédito fiscal para VEs nos Estados Unidos em setembro de 2025 e a um suporte político menos robusto para a adoção de veículos elétricos.
Apesar do cenário desafiador, há movimentos estratégicos em curso. Após o Canadá implementar um acordo de cota tarifária que permite a entrada de 49.000 VEs de fabricação chinesa com tarifas reduzidas, a BYD anunciou sua intenção de ingressar no mercado canadense até o final de 2026. A montadora chinesa planeja inaugurar mais de 20 concessionárias em Toronto, Vancouver, Montreal e Calgary, com o lançamento inicial previsto para os modelos Atto 3, Seal, Dolphin e Seagull.
Mercado Doméstico Chinês em Recuperação, Exportações Batem Novos Recordes
O mercado interno de VEs da China, embora ainda apresente números inferiores aos do ano anterior, tem mostrado sinais de melhora nos últimos meses. Até maio, as vendas de VEs na China registraram uma queda de 15% em comparação com o mesmo período de 2025. No entanto, a demanda por baterias tem se mantido mais resiliente do que as vendas de veículos, refletindo uma tendência crescente de consumidores optarem por VEs com baterias de maior capacidade.
Essa mudança no perfil de consumo é parcialmente atribuída a um programa de subsídios lançado no início deste ano, que contribuiu para o aumento do tamanho médio das baterias em VEs vendidos na China. Enquanto a demanda doméstica mostra sinais de enfraquecimento, as exportações chinesas de veículos elétricos continuam a registrar um crescimento impressionante, atingindo um novo recorde mensal em maio, com quase 450.000 unidades. Tanto as exportações de BEVs quanto de PHEVs (Plug-in Hybrid Electric Vehicles) apresentaram forte expansão, com a BYD liderando o avanço, seguida por Chery e Geely. A fábrica da Tesla em Xangai também se mantém como um contribuinte significativo para os volumes de exportação da China.
Charles Lester observa o contraste cada vez mais acentuado entre o mercado interno chinês e seu desempenho exportador. “O mercado doméstico da China permanece modesto, com queda de 15% no acumulado do ano, embora as exportações continuem a crescer a níveis recordes, com BYD, Chery e Geely liderando a carga internacional. A lacuna entre a fraqueza doméstica da China e sua força exportadora continua a se ampliar”, afirmou Lester.
A ascensão dos veículos elétricos, impulsionada por fatores econômicos e ambientais, remodela o cenário automotivo global. A Europa demonstra um caminho promissor com políticas de apoio e a crescente oferta de modelos, enquanto a China consolida sua posição como potência exportadora. A América do Norte enfrenta o desafio de reverter a tendência de queda, adaptando-se às novas realidades do mercado. O futuro da mobilidade elétrica dependerá da capacidade de cada região em superar seus obstáculos e capitalizar as oportunidades emergentes neste setor em rápida evolução.

