mecanica automotiva

BYD e Governo Federal em Polêmica: Impostos de Importação Zerados Geram Críticas Severas

BYD e Governo Federal em Polêmica: Impostos de Importação Zerados Geram Críticas Severas

Uma decisão recente do Gecex (Comitê de Importação, Tarifas, Medidas de Defesa Comercial e Exceções Tarifárias) do Governo Federal, que zerou o imposto de importação para veículos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD) entre julho e dezembro deste ano, dentro de uma cota de US$ 463 milhões, desencadeou uma onda de críticas generalizadas. A medida, vista como uma reinterpretação enviesada de posições anteriores, beneficiou a BYD, que enfrentou atrasos em sua fábrica em Camaçari, Bahia, e buscou apoio governamental, levantando preocupações sobre a mistura de política partidária com decisões econômicas.

A Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) manifestou forte desaprovação, alegando que a alteração repentina das regras viola a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória, penalizando toda a cadeia automotiva nacional. Similarmente, o Sindipeças destacou a urgência de nivelar as condições de concorrência, argumentando que o tratamento favorecido para a implantação industrial já não se justifica da mesma forma, especialmente com a importação de kits CKD/SKD.

Sérgio Nobre, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), também criticou a deliberação, apontando que ela ignora resoluções prévias do próprio colegiado que haviam extinguido as cotas. A CUT reforça o discurso de que a mudança abrupta prejudica a previsibilidade do mercado e a indústria local.

Em uma declaração inicial que gerou polêmica, Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, comparou a chegada da marca chinesa a um “meteoro” atingindo os “dinossauros” da indústria automotiva. Contudo, diante da forte reação e da possibilidade de judicialização por parte da Anfavea, Baldy suavizou o discurso, reconhecendo a trajetória e o respeito devido às montadoras estabelecidas, em um aparente gesto de retratação.

Aumento da Carga Tributária para Veículos Elétricos na China

Paralelamente, a China planeja um aumento na carga tributária sobre veículos elétricos. A iniciativa visa custear a manutenção de ruas e estradas, impactadas pelo maior peso desses veículos, que frequentemente ultrapassam duas toneladas. A redução na arrecadação de impostos sobre combustíveis líquidos, uma fonte tradicional de financiamento para infraestrutura rodoviária, também contribui para essa mudança.

Segundo o site South China Morning Post, essa nova taxação, ainda não anunciada oficialmente, pode desacelerar o mercado doméstico de elétricos, que já enfrenta dificuldades com a recente eliminação de incentivos fiscais. Em cidades como Xangai, a compra de veículos com motor a combustão é restrita por meio de leilões de placas, com custos que podem chegar a R$ 70.000.

A mídia estatal chinesa e críticos alertam para as consequências dessa nova política. O imposto atual já considera padrões de consumo, com uma redução de 50% na carga tributária para modelos com massa inferior a 2.700 kg e consumo limitado a 19,1 kW·h por 100 km. No entanto, essa medida não conteve totalmente a tendência de produção de modelos maiores e mais pesados.

A hesitação dos consumidores no mercado interno chinês tem impulsionado as exportações e a construção de fábricas em outros mercados, como a Europa, para contornar as elevadas tarifas de importação impostas aos produtos chineses.

Audi Lança o RS e-tron GT Performance, Seu Elétrico Mais Potente

A Audi apresentou o RS e-tron GT Performance, seu modelo elétrico de produção em série mais potente até o momento. Compartilhando a base mecânica com o Porsche Taycan, este cupê de quatro portas entrega impressionantes 925 cv em modo de controle de largada e um torque de 104,8 kgf·m. A tecnologia embarcada inclui suspensão pneumática ativa com amortecimento variável, tração integral elétrica quattro com duas marchas e eixo traseiro esterçante, otimizando tanto a dirigibilidade em baixas quanto em altas velocidades.

O sistema de suspensão se ajusta dinamicamente, reduzindo a altura em até 25 mm durante acelerações e desacelerações intensas, além de controlar a rolagem em curvas. Para facilitar o acesso, a carroceria pode ser elevada em até 70 mm ao se aproximar do veículo.

Com dimensões generosas, o porta-malas oferece 350 litros, complementados por um espaço adicional de 77 litros sob o capô. O modelo conta com rodas de 21 polegadas, pneus Pirelli PZero e freios cerâmicos. O alcance estimado pelo Inmetro é de 608 km com a bateria de 105 kW·h, e a aceleração de 0 a 100 km/h é realizada em 2,5 segundos, com um peso total de 2.395 kg.

O interior reflete o luxo da marca, com um teto solar que pode se tornar opaco com um toque. A Audi oferece uma vasta gama de personalização, com mais de um milhão de combinações possíveis, desde cores de retrovisores e pinças de freio até os acabamentos internos. O preço inicial do Audi RS e-tron GT Performance no Brasil é de R$ 1.334.990.

GWM Amplia Portfólio Elétrico com o Lançamento do ORA 5

A GWM expande sua linha de veículos elétricos no Brasil com o ORA 5, posicionado acima do Ora 3. O novo modelo se destaca pelas dimensões ampliadas, pacote tecnológico robusto e design atraente. Com 4.471 mm de comprimento e 2.720 mm de entre-eixos, oferece 362 litros de capacidade no porta-malas.

Equipado com um motor elétrico de 204 cv e 26,6 kgf·m de torque, e uma bateria de 58,3 kW·h, o ORA 5 atinge um alcance médio de 349 km conforme o padrão Inmetro. O carregamento rápido (DC) de 120 kW permite recuperar de 30% a 80% da carga em aproximadamente 20 minutos.

Entre os recursos tecnológicos, destacam-se a central multimídia de 14,6 polegadas, atualizações remotas de software, comandos de voz com inteligência artificial e a função V2L (Vehicle-to-Load), que permite usar a bateria do carro para alimentar dispositivos externos. O veículo também oferece condução semiautônoma Nível 2, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego, controle de cruzeiro adaptativo, câmera 540° e seis airbags.

O ORA 5, classificado como um hatch espaçoso, apresentou acelerações rápidas e respostas imediatas ao comando do acelerador durante o primeiro contato em São Paulo, atingindo 0 a 100 km/h em 7,7 segundos. A GWM afirma ter realizado calibrações específicas para o mercado brasileiro, com ajustes na suspensão independente nas quatro rodas, visando otimizar a experiência de condução.

O preço de lançamento do GWM ORA 5 é de R$ 159.000.

Fernando Calmon é jornalista especializado e colunista do Portal da Revista O Mecânico.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *