Jensen Interceptor GTX: O Retorno de um Ícone com 960 cv e Alma de Uirapuru

Jensen Interceptor GTX: Um Novo Capítulo para um Clássico com Inspiração Brasileira

A história do Jensen Interceptor no Brasil é marcada por uma semelhança notável com o Brasinca 4200 GT Uirapuru, ícone nacional desenhado por Rigoberto Soler e apresentado em 1964, dois anos antes do modelo britânico. Agora, a Jensen ressuscita o nome Interceptor com um projeto totalmente novo: o Interceptor GTX. Este cupê de dois lugares, desenvolvido pela Jensen International Automotive (JIA), não é um mero restomod, mas sim um carro de corrida construído sobre um moderno chassi de alumínio, prometendo evocar o espírito de um “Uirapuru 2027”.

O GTX servirá como base para uma futura linha de modelos, que incluirá o GTR, um esportivo de rua focado em desempenho, e o GT, um modelo de luxo de quatro portas e quatro lugares. A nova fase da Jensen busca redefinir o que o mercado espera de um Jensen, combinando herança com tecnologia de ponta.

A inspiração no Uirapuru, especialmente nas linhas laterais e traseiras, é palpável na carroceria de alumínio moldada à mão. O GTX é, em essência, uma visão moderna do clássico brasileiro, adaptado para os desafios do século XXI com engenharia de ponta e um foco inegável em performance.

Motor V8 Americano com Preparação Extrema

Fiel à tradição do Interceptor original, que utilizava motores V8 da Chrysler, o novo GTX adota um bloco americano. Desta vez, trata-se de um Chevrolet V8 6.2 da família LT, preparado pela Late Model Engines, no Texas. A cilindrada foi ampliada para 6.8 litros e o motor recebeu um compressor mecânico. Segundo a JIA, menos de 20% dos componentes originais foram mantidos, evidenciando a profundidade da preparação.

Entre as modificações destacam-se válvulas de titânio, peças móveis forjadas e cabeçotes usinados por CNC, garantindo precisão e resistência extremas. Atualmente, o V8 entrega cerca de 960 cv, mas seu potencial é ainda maior, com capacidade para atingir 1.200 cv e mais de 138 kgfm de torque. Essa potência atual é uma limitação deliberada durante a fase de desenvolvimento. O gerenciamento eletrônico é assinado pela MoTeC, sistema de alta performance utilizado em competições.

Engenharia de Competição para um Chassi Moderno

A configuração mecânica do GTX é focada em performance: o motor foi instalado em posição dianteira-central, recuado atrás do eixo dianteiro, e o câmbio sequencial de seis marchas do tipo transaxle está localizado na traseira. A conexão entre os dois componentes é feita por um cardã de fibra de carbono, alojado em um tubo estrutural de aço. O câmbio, do tipo “dog box”, permite trocas de marcha extremamente rápidas e diretas, controláveis tanto por borboletas no volante quanto por uma alavanca no console central.

Essa distribuição de peso otimizada resulta em um equilíbrio quase perfeito entre os eixos (49% na dianteira e 51% na traseira), contribuindo para um peso total de 1.660 kg, um número notável para um carro de 5,2 metros de comprimento e 2 metros de largura. A estrutura também é uma revolução: um chassi de alumínio extrudado e colado, similar ao usado na indústria aeroespacial, oferece rigidez e leveza superiores ao antigo chassi de aço.

A suspensão conta com braços triangulares sobrepostos nas quatro rodas e amortecedores esportivos reguláveis da Nitron. A direção, propositalmente hidráulica, visa preservar a resposta mais direta ao volante. Os freios AP Racing com discos de aço e pinças de múltiplos pistões, juntamente com rodas Vossen forjadas de 20 polegadas calçadas em pneus Michelin de alta performance, completam o conjunto de alta tecnologia.

Aerodinâmica Afiada e Interior Minimalista

O pacote aerodinâmico do GTX é agressivo e funcional, com splitter dianteiro, saias laterais proeminentes, difusor traseiro e uma asa ajustável de fibra de carbono. Este conjunto é capaz de gerar cerca de 350 kg de carga aerodinâmica, garantindo estabilidade em altas velocidades. A carroceria, moldada à mão em alumínio, reforça a ligação visual com o passado, especialmente nas linhas que remetem ao Uirapuru.

O interior do GTX foi despojado para atender às exigências de uso em circuito. Conta com gaiola de proteção homologada pela FIA, bancos-concha de fibra de carbono, cintos de seis pontos, sistema de extinção de incêndio e painel digital MoTeC. Os vidros em policarbonato contribuem para a redução de peso.

O Futuro: GTR e GT

O GTX é apenas o primeiro passo da Jensen em sua nova jornada. Em seguida, virá o Interceptor GTR, posicionado como um carro de rua com forte vocação para as pistas. Posteriormente, o Interceptor GT chegará ao mercado como um gran turismo de luxo, competindo com marcas como Aston Martin e Bentley. Para esses modelos de rua, serão oferecidas opções de câmbio manual convencional e transmissão automática.

O projeto conta com o apoio do empresário americano Jeff Quale, cujo pai foi acionista majoritário da Jensen no passado. O GTX apresentado é um protótipo que passará por seis meses de testes rigorosos. Os preços estimados para o modelo de pista variam entre £ 850 mil e £ 950 mil (aproximadamente R$ 5,9 a R$ 6,6 milhões), com os modelos de rua tendo um custo inferior. O GTX é, portanto, um laboratório sobre rodas para definir o futuro da icônica marca britânica.


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