VW Tera 2024: Motorização atualizada busca maior competitividade no segmento de SUVs compactos
O mercado automotivo brasileiro tem presenciado uma movimentação significativa no segmento de motores turbo de entrada, com diversas montadoras optando por limitar a potência de seus propulsores a cerca de 115-116 cv. Essa estratégia está diretamente ligada à tributação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Verde, que penaliza veículos com maior potência. Nesse cenário, a Volkswagen decidiu ir na contramão com o Tera, anunciando para a linha 2027 um upgrade mecânico que o posicionará de forma mais competitiva.
Até então equipado com o motor 170 TSI, que entrega 109 cv com gasolina e 116 cv com etanol, e 16,8 kgfm de torque, o Tera passará a contar com o propulsor 200 TSI. Este novo conjunto, já conhecido de outros modelos do grupo como o T-Cross, oferecerá 116 cv com gasolina e um pico de 128 cv quando abastecido com etanol. O torque também aumentará para 20,4 kgfm em ambas as opções de combustível. Essa atualização, que chegará às versões Comfort e High, promete um ganho de até 12 cv e 3,6 kgfm de torque em comparação com a configuração atual, além da adoção de um câmbio automático de oito marchas em substituição ao de seis.
A decisão de atualizar o motor do Tera reflete a busca da Volkswagen por maior competitividade em um segmento acirrado. Ao adotar o propulsor 200 TSI, a marca visa oferecer um desempenho superior, especialmente com etanol, onde o SUV alcançará a maior potência entre seus concorrentes diretos. No entanto, é importante notar que, mesmo com essa evolução, o Tera não se tornará o 1.0 turbo mais potente em todas as situações, mantendo um cenário de disputa equilibrada com outros modelos do mercado.
A Estratégia da Potência Limitada e as Exceções no Mercado
A maior parte dos fabricantes tem adotado uma política de limitar a potência dos motores 1.0 turbo para se manter abaixo do limite de 85 kW (aproximadamente 115,6 cv). Ultrapassar essa marca no critério de potência do IPI Verde pode acarretar em um aumento de 0,75 ponto percentual no imposto, somado a outros fatores como eficiência energética e emissões. Essa regra tributária explica por que modelos como o Jeep Avenger, Fiat Pulse, Citroën Basalt e Chevrolet Sonic (com motores T200 e similares) operam nessa faixa de potência.
As montadoras do grupo Stellantis, por exemplo, já estão ou passarão a limitar o motor 1.0 T200 a 116 cv, uma mudança que já foi implementada no Jeep Avenger. A Hyundai também fez ajustes em HB20 e Creta, e o novo i20 segue a mesma linha. A Chevrolet, por sua vez, padronizou a potência de seus motores 1.0 turbo em seus modelos de entrada.
Em contrapartida, a Renault e a Volkswagen se destacam como exceções. A Renault, com o Kardian, optou por manter o motor 1.0 TCe com 120 cv (gasolina) e 125 cv (etanol), além de 22,4 kgfm de torque, buscando se diferenciar pelo conteúdo de suas versões, como a nova Vibe. A Volkswagen, com o Tera, agora anuncia o upgrade para o 200 TSI, que, embora atinja 128 cv com etanol, ainda fica em 116 cv com gasolina, posicionando-se de forma estratégica no limite de tributação.
Quem Lidera a Corrida por Potência entre os 1.0 Turbo?
Atualmente, antes da chegada oficial do novo conjunto mecânico do Tera às concessionárias, o Renault Kardian detém a liderança entre os SUVs compactos com motor 1.0 turbo, graças aos seus 120 cv com gasolina e 125 cv com etanol. Esses números superam os 115-116 cv de modelos como o Jeep Avenger, Fiat Pulse, Citroën Basalt e Chevrolet Sonic.
A partir de outubro, com a introdução do Volkswagen Tera 200 TSI 2027, a situação se alterará. Quando abastecido com etanol, o SUV da Volkswagen alcançará 128 cv, superando o Kardian em potência máxima nessa condição específica. Com gasolina, o Tera manterá os 116 cv, ficando em paridade com muitos de seus rivais. O Kardian, por sua vez, continuará a ter vantagem em potência com gasolina e torque com etanol (22,4 kgfm), enquanto o Tera apresentará o pico de potência mais elevado com o derivado de cana.
A Nova Tributação e o Ressurgimento de Carros a Etanol
As novas regras de tributação do IPI Verde não apenas influenciam a potência dos motores, mas também incentivam a produção de veículos movidos exclusivamente a etanol. Além do benefício de se manterem abaixo do limite de 85 kW (115,6 cv), veículos a etanol puro recebem um corte adicional de 0,5 ponto percentual no IPI em comparação aos modelos flex. Este incentivo levou a Chevrolet a relançar o Onix Eco, uma versão do 1.0 turbo de 115 cv projetada para rodar somente com etanol.
A Volkswagen também pode seguir essa tendência. Há relatos de testes com um Polo Track identificado como 100% etanol, e a marca estaria desenvolvendo uma versão do motor 1.6 16V MSI exclusivamente para esse combustível, com potência próxima a 116 cv. Além disso, o motor 1.6 16V MSI que equipa a Saveiro também deve ser utilizado em sua sucessora, a Tukan. Essa estratégia abre portas para que o próprio Tera, ou outros modelos da marca alemã, possam receber motorizações exclusivas a etanol, visando públicos como o frotista, à semelhança do Onix Eco.
Informações baseadas em dados divulgados pela indústria automotiva e reportagens especializadas.
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