CEO da BMW levanta dúvidas sobre a sustentabilidade comercial dos preços de carros chineses na Europa
Pouco tempo após anunciar um programa de corte de cerca de 8 mil empregos na Europa, a BMW volta a colocar a concorrência asiática em evidência. Desta vez, o novo CEO da montadora, Milan Nedeljković, manifestou publicamente suas preocupações a respeito dos preços praticados por algumas fabricantes chinesas no mercado europeu. Em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, Nedeljković declarou que certos valores são comercialmente insustentáveis.
O executivo evitou defender diretamente a imposição de novas tarifas sobre veículos importados da China. Contudo, alertou que preços considerados impraticáveis por algumas empresas podem distorcer a livre concorrência e, consequentemente, intensificar a pressão por medidas protecionistas na Europa. Ele defende que a Europa e a China busquem soluções através de acordos comerciais mais equilibrados.
Questionado sobre a possibilidade de dumping – exportação de produtos a preços inferiores aos praticados no mercado de origem – por parte das fabricantes chinesas, Nedeljković adotou uma postura cautelosa, mas não escondeu sua insatisfação. Segundo o CEO da BMW, alguns veículos chineses estão sendo oferecidos na Europa a preços que, do ponto de vista financeiro, não se sustentariam em uma operação comercial normal. Ele observa que tais práticas podem acabar fortalecendo os setores que clamam por maior proteção à indústria automotiva europeia, um cenário que a BMW, dependente do comércio internacional, busca evitar ao defender mercados abertos.
União Europeia já impõe tarifas sobre elétricos chineses
A discussão sobre a competitividade dos veículos chineses na Europa não é nova e já ultrapassou o âmbito das declarações de executivos. Desde o início de 2024, a União Europeia implementou tarifas compensatórias adicionais sobre veículos elétricos fabricados na China, após uma investigação constatar a existência de subsídios governamentais. As alíquotas variam entre as montadoras, chegando a 17% para a BYD, 18,8% para a Geely e 35,3% para a SAIC, com a previsão de que essas medidas permaneçam em vigor por cinco anos.
Pressão chinesa impacta a BMW e o mercado europeu
A declaração de Milan Nedeljković ocorre em um momento delicado para a BMW. Recentemente, a empresa anunciou a eliminação de aproximadamente 8 mil postos de trabalho na Europa até o final de 2027. Este programa de demissão voluntária faz parte de uma estratégia mais ampla de redução de custos, impulsionada por uma queda de 35% no lucro antes de impostos no segundo trimestre e um desempenho abaixo do esperado em mercados cruciais.
A China, que é o maior mercado individual da BMW, tem representado um ponto de pressão crescente. As vendas do grupo no país asiático diminuíram de 847.900 carros em 2021 para cerca de 626 mil unidades em 2025, enquanto as montadoras locais ganharam terreno rapidamente. Apesar dessa queda, a China continua sendo vital para a BMW.
Agora, essa mesma concorrência acirrada se estende ao mercado europeu. Marcas chinesas como BYD, Geely e SAIC estão expandindo sua presença no continente europeu em um período em que fabricantes tradicionais buscam otimizar custos e recuperar margens de lucro.
BMW prefere acordos comerciais a novas guerras tarifárias
Apesar de suas críticas aos preços praticados, Milan Nedeljković não advoga por um aumento generalizado das barreiras comerciais contra os veículos chineses. O CEO da BMW prefere que as autoridades de Bruxelas e Pequim negociem acordos voluntários. O objetivo seria estabelecer condições de mercado mais equitativas e alinhadas com as práticas comerciais habituais. A própria União Europeia mantém essa possibilidade em aberto, permitindo que exportadores chineses apresentem propostas de compromisso de preços como alternativa às tarifas já vigentes.
