Foragido da Operação Master é Preso em Dubai e Chega a SP: Victor Sedleimar e o Grupo ‘Os Meninos’ na Mira da Justiça
Foragido da Operação Master é Preso em Dubai e Chega a SP: Victor Sedleimar e o Grupo ‘Os Meninos’ na Mira da Justiça
Victor Lima Sedleimar, um dos alvos da sexta fase da Operação Compliance Zero, chegou ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, nesta tarde de sábado (16), após ser preso em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e deportado. Sedleimar é suspeito de fazer parte do grupo conhecido como ‘Os Meninos’, especializado em crimes cibernéticos.
O grupo é acusado de realizar ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal, atuando em benefício de Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master. A prisão de Sedleimar ocorreu após cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades de Dubai, via Interpol.
A defesa de Victor Sedleimar contesta a narrativa de que ele seria um foragido, afirmando que sua saída do país foi regular e com passaporte emitido pela Polícia Federal, sem restrições judiciais. O advogado criminalista João Margherita acompanhou o suspeito. A Polícia Federal informou que Sedleimar foi localizado no aeroporto de Dubai, mas não especificou se ele estava chegando ou saindo da cidade. Ele será submetido à audiência de custódia neste domingo (17).
‘Os Meninos’ e a Conexão com o Banco Master
Victor Lima Sedleimar é apontado como um dos integrantes de ‘Os Meninos’, um grupo criminoso cibernético que operava em favor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As atividades do grupo incluíam invasões, monitoramento ilegal e ataques virtuais. A prisão de Sedleimar faz parte da Operação Compliance Zero, que visa desarticular esquemas criminosos relacionados ao setor financeiro.
As prisões preventivas foram decretadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso Master. Sedleimar estava foragido desde quinta-feira (14), data em que a nova fase da operação foi deflagrada, mas não havia sido localizado até a sua detenção em Dubai.
Cooperação Internacional e Deportação
A localização e prisão de Victor Sedleimar foram possíveis graças a uma ação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e as autoridades de Dubai, com intermediação da Interpol. O suspeito foi detido no aeroporto da cidade emiradense e, posteriormente, deportado para o Brasil. Ao chegar em São Paulo, ele foi encaminhado à sede da Polícia Federal na Lapa, Zona Oeste.
A defesa de Sedleimar alega não ter tido acesso aos autos do processo e a depoimentos, o que, segundo eles, impede o exercício pleno do direito de defesa. A nota divulgada pela defesa também repudia a informação de que Victor seria um foragido, assegurando que sua saída do país foi completamente regular.
Suspeitas de Uso de Documentos Falsos e Limpeza de Provas
Além de sua atuação no grupo hacker, a Polícia Federal suspeita que Victor Sedleimar tenha utilizado documentos falsos. Em março, durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal a um carro dirigido por David Alves, líder de ‘Os Meninos’ e que também está foragido, foi encontrado um documento de identidade em nome de ‘Marcelo Souza Gonçalves’. A foto no documento, no entanto, era de Victor Sedleimar.
Outra suspeita é que Sedleimar tenha atuado na ‘limpeza’ do apartamento de David Alves em 5 de março, um dia após a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro. Em depoimento anterior à PF, Sedleimar afirmou que trabalhava para David Alves desde julho de 2024, prestando serviços de informática e desenvolvimento de software.
Posição da Defesa
A defesa de Victor Lima Sedleimar afirmou, em nota, que acompanha o caso desde março de 2026, quando seus bens e dispositivos eletrônicos foram apreendidos e ele prestou depoimento. A defesa contesta a narrativa de foragido, destacando que Victor saiu do país com passaporte regular e sem restrições judiciais vigentes. Eles ressaltam que a saída foi regular e transparente. A defesa também aponta a falta de acesso integral aos autos investigativos, o que dificulta a análise das acusações.

