Política

Polícia Federal REJEITA delação de Daniel Vorcaro; banqueiro que envolveu esquema milionário pode ter acordo analisado pela PGR

Polícia Federal diz “não” a acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, mas PGR ainda pode analisar o caso.

A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão, que já foi comunicada aos advogados do investigado e ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), pode não ser o fim da linha para Vorcaro.

Apesar do parecer negativo da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda tem a prerrogativa de analisar a proposta de delação individualmente. O acordo estava em negociação conjunta entre as duas instituições, mas a PGR ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema.

Fontes ligadas à investigação indicam que os investigadores estavam insatisfeitos com o material apresentado pela defesa de Vorcaro, considerando que ele acrescentava pouco ao que já havia sido apurado pela PF. Há a impressão de que o banqueiro estaria agindo para proteger pessoas próximas, o que enfraqueceu a proposta de acordo. As informações foram divulgadas em reportagem.

Investigação revela esquema complexo e busca por proteção

A PF apreendeu mais de oito celulares de Daniel Vorcaro. A perícia inicial de parte desses aparelhos já revelou que o esquema do banqueiro vai muito além de fraudes financeiras. As investigações apontam para um envolvimento com corrupção, organização criminosa e até o uso de uma milícia privada.

Essa milícia teria sido empregada para atacar adversários e acessar dados sigilosos, indicando uma atuação sofisticada e com múltiplos tentáculos. A descoberta desses detalhes intensificou a pressão sobre Vorcaro e sua defesa para apresentar informações relevantes.

Transferência para cela comum e o fim da “sala de Estado-Maior”

Na terça-feira (19), após um pedido da PF, Daniel Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Anteriormente, ele ocupava uma sala no estilo “sala de Estado-Maior”, espaço que também foi utilizado para a detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A mudança para uma cela comum significa que Vorcaro agora está sujeito às regras internas da PF, incluindo restrições para visitas de advogados e outras rotinas da instituição. Essa transferência pode ser vista como uma forma de pressionar o banqueiro a colaborar mais efetivamente com as investigações.

Trajetória da proposta de delação e os pontos fracos do acordo

A negociação para a delação premiada de Daniel Vorcaro começou em março, quando seu advogado procurou a PF para manifestar o interesse do banqueiro em firmar um acordo. Na ocasião, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade e iniciou o processo de entrega de informações.

No início deste mês, a defesa finalizou os anexos da proposta, que foram entregues às autoridades. A negociação, segundo informações, tinha como eixo a devolução de recursos e a comprovação de atos de ofício de autoridades citadas. No entanto, a proposta preliminar, apresentada há cerca de um mês, foi considerada fraca tanto pela PF quanto pela PGR.

A avaliação é que o material apresentado não trazia novidades significativas em relação ao que já havia sido apurado na “Operação Compliance Zero”, que resultou na primeira prisão de Vorcaro. Os investigadores sentiram falta de nomes que estariam no topo da hierarquia da organização criminosa, cujo envolvimento já teria sido identificado.

O futuro da delação e a análise da PGR

Apesar da rejeição da Polícia Federal, o caminho para Daniel Vorcaro não está totalmente fechado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) tem a autonomia para analisar a proposta de delação premiada de forma independente. A decisão da PF, embora desfavorável, não impede que a PGR siga com a análise do caso.

O desenrolar dessa negociação será crucial para o avanço das investigações sobre o complexo esquema liderado por Daniel Vorcaro, que envolve não apenas fraudes financeiras, mas também corrupção e organização criminosa. A expectativa é que a PGR tome uma decisão nos próximos dias sobre a continuidade da análise da proposta de delação.

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