Guerra de Picapes Híbridas: Fiat Toro e Ford Maverick Preparam Terreno para Novos Rivais Eletrificados

A Eletrificação Chega às Picapes: Um Novo Cenário em Construção no Brasil

O mercado brasileiro de picapes médias e compactas está prestes a vivenciar uma revolução. Após a chegada da Volkswagen Tarok (nome que substitui o codinome Tukan usado internamente) e da BYD Shark (nome que substitui o codinome Mako), o segmento, que já conta com a Fiat Toro e a Ford Maverick como pioneiras em eletrificação, se prepara para receber uma enxurrada de novos concorrentes. A principal característica em comum entre essas futuras novidades é a aposta em diferentes níveis de eletrificação, desde sistemas híbridos leves até plug-in, prometendo redefinir a concorrência e as expectativas dos consumidores.

Atualmente, a Fiat Toro oferece um sistema híbrido leve de 48 volts, enquanto a Ford Maverick adota um sistema híbrido pleno. No entanto, a tendência é que essas soluções se tornem mais diversificadas e sofisticadas com a chegada de novas marcas e modelos. A Renault, a Leapmotor e a Toyota são algumas das montadoras que já sinalizaram suas intenções de ingressar neste promissor mercado com propostas eletrificadas.

A expectativa é que essa onda de eletrificação traga não apenas novas opções de motorização, mas também diferentes abordagens em termos de desempenho, eficiência e tecnologia embarcada. A seguir, detalhamos o que se sabe sobre cada um desses futuros lançamentos e as estratégias que cada marca pretende adotar para conquistar seu espaço neste segmento em franca expansão.

VW Tarok: Híbrido Leve de 48 Volts para um Volume Maior

A futura Volkswagen Tarok, que sucederá a Saveiro em um patamar superior, apostará na solução mais acessível dentro do universo da eletrificação: o sistema híbrido leve de 48 volts. Utilizando a mesma plataforma MQB do T-Cross, a Tarok não será o palco de estreia do sistema híbrido pleno que a VW prepara para uma nova arquitetura. No topo de sua gama, espera-se a motorização 1.5 TSI, complementada por um motor elétrico de 48 volts. Essa tecnologia, inédita nos modelos nacionais da Volkswagen, tem potencial para ser expandida para outros veículos da linha no médio prazo.

Neste sistema, o motor elétrico atuará primariamente como um coadjuvante para o propulsor a combustão, oferecendo suporte em situações específicas e recuperando energia durante as desacelerações. Diferente de um sistema HEV (híbrido completo), a Tarok não terá a capacidade de se mover unicamente com energia elétrica por longos períodos. Essa escolha estratégica visa a um custo de produção menor e maior volume de vendas, posicionando a Tarok mais próxima dos preços da Fiat Strada e da própria Saveiro, apesar de sua maior sofisticação e porte.

Renault Niagara: Híbrido Leve com Tração Integral Inteligente

A Renault Niagara se posicionará um degrau acima em termos de complexidade tecnológica. Embora também utilize um sistema de 48 volts, a solução da marca francesa é mais elaborada do que um híbrido leve convencional. Essa tecnologia, prevista para estrear no SUV Duster no Brasil em 2027, deverá chegar à Niagara logo em seguida. Inicialmente, a picape contará com o motor 1.3 TCe de 163 cv e 27,5 kgfm.

A referência é o sistema já empregado pela Renault em mercados internacionais, que combina o motor 1.3 turbo na dianteira com um motor elétrico traseiro de 31 cv e 8,9 kgfm. Este propulsor elétrico possui embreagem e duas marchas próprias, alimentado por uma bateria de 0,84 kWh. O resultado é um sistema capaz de operar com tração dianteira, traseira em situações específicas e, finalmente, com tração 4×4 sob demanda, dispensando o eixo cardã mecânico. A Niagara será praticamente um Duster com caçamba, compartilhando plataforma, interior, tecnologia e boa parte da mecânica, mirando as versões mais caras do segmento, competindo com modelos como a Ram Rampage e a Ford Maverick.

BYD Shark: Plug-in Flex para Desempenho e Autonomia Elétrica

A BYD Shark promete elevar o nível do segmento com sua proposta de picape híbrida plug-in. Baseada no SUV Song Pro, a nova picape é o primeiro fruto dos projetos regionais da BYD para o Brasil e mira diretamente a Fiat Toro em termos de volume e porte. Ao contrário da Tarok e da Niagara, a Shark chegará com um sistema híbrido plug-in, capaz de operar em modo puramente elétrico por distâncias consideráveis.

Espera-se que utilize uma evolução do conjunto do Song Pro, combinando um motor 1.5 aspirado flex com um propulsor elétrico. Na configuração mais potente do SUV, o sistema entrega cerca de 219 cv e 30,6 kgfm, com uma bateria de 18,3 kWh que permite recarga externa. Essa configuração no Song Pro GS garante até 72 km de autonomia elétrica pelo Inmetro, embora os dados definitivos para a Shark ainda dependam de homologação. Produzida em Camaçari (BA), a Shark chegará ainda em 2026, com versões 4×2 e 4×4. Será a primeira picape intermediária com tecnologia PHEV flex, podendo utilizar gasolina ou etanol no motor a combustão. A principal diferença para as rivais híbridas leves é o foco na propulsão elétrica como fonte primária de energia em muitos deslocamentos.

Toyota Corolla Pickup: HEV e PHEV Flex em Preparo

A futura picape da Toyota, ainda envolta em mistério, já roda em testes no Brasil sob o código 150D. Prevista para ser produzida em Sorocaba (SP) e utilizar a plataforma TNGA, o modelo terá forte parentesco com o Corolla Cross, tanto em porte quanto em tecnologia. A estreia está projetada entre 2027 e 2028, posicionando-se abaixo da Hilux e competindo diretamente com a Fiat Toro e a Ram Rampage.

A expectativa é que a gama explore a expertise da Toyota em sistemas híbridos flex. Poderá haver uma evolução do atual conjunto HEV com motor 1.8 de ciclo Atkinson, além de uma inédita configuração PHEV flex, desenvolvida a partir da nova família de motores que a fabricante prepara no país. Essa versão plug-in poderá seguir a lógica do RAV4 PHEV, combinando motor a combustão com propulsores elétricos e opção de tração integral. A estratégia da Toyota de oferecer duas opções híbridas – uma HEV sem necessidade de recarga externa e uma PHEV mais potente – pode ser um diferencial importante no mercado.

Leapmotor C10: Híbrido com Extensor de Autonomia Inovador

A Leapmotor C10, ainda em fase inicial de desenvolvimento como protótipo, representa a proposta mais distinta entre as futuras picapes eletrificadas. A marca chinesa estaria trabalhando em uma rival para a BYD Shark, Fiat Toro e Ram Rampage, utilizando o sistema híbrido REEV (Range Extender Electric Vehicle) já presente em seu SUV C10. Neste sistema, o motor elétrico traseiro de 215 cv e 32,6 kgfm é o responsável direto pela propulsão das rodas, alimentado por uma bateria LFP de 28,4 kWh recarregável externamente.

O motor a combustão de 1.5 ciclo Atkinson, localizado na dianteira, atua exclusivamente como gerador para produzir eletricidade, sem impulsionar as rodas diretamente. Embora atualmente funcione com gasolina, a Stellantis já prepara uma calibração flex para 2027. No entanto, ainda é cedo para confirmar o lançamento. Mulas de teste com a plataforma e mecânica do C10 e carroceria da Strada foram criadas para avaliar a viabilidade do projeto. A plataforma poderia futuramente servir a novas gerações da Toro e Rampage, indicando um potencial de sinergia dentro do grupo Stellantis e um futuro incerto para a picape Leapmotor.

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