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Carros de Cinema dos Anos 30: A Busca da Selznick International Pictures por Estrelas Automotivas

O Fascinante Universo dos Carros de Cinema na Era de Ouro de Hollywood

No vibrante cenário de Hollywood entre as décadas de 1920 e 1930, os estúdios cinematográficos estavam sempre em busca de elementos que pudessem conferir autenticidade e grandiosidade às suas produções. Uma prática comum era a submissão de fotografias de veículos a agências de talentos, visando encontrar os carros perfeitos para estrelar em filmes. Enquanto muitos dos automóveis documentados naquela época eram modelos de luxo, tanto para os padrões da época quanto para os atuais, um olhar mais atento revela que a indústria também se interessava por carros mais comuns, e por vezes, bastante peculiares, assim como seus proprietários.

Um ponto crucial que merece destaque é o destino principal dessas imagens: a Selznick International Pictures (SIP). Fundada em 1935 por David O. Selznick, após sua saída da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), a SIP contou com o apoio de influentes figuras financeiras de Los Angeles. A visão de Selznick era clara: produzir filmes baseados em obras literárias, elevando o nível artístico em comparação com a produção em massa de filmes que caracterizava a indústria na época, frequentemente apelidada de “fábricas de filmes”. Ele acreditava que os estúdios estavam mais focados em quantidade do que em qualidade.

A SIP estabeleceu suas operações nos antigos estúdios da RKO-Pathé em Culver City, Califórnia, renomeando-os para Selznick International Studios. Era neste local que toda a correspondência referente ao potencial uso de veículos para os filmes era centralizada. Selznick era conhecido por seu controle minucioso sobre a produção, preferindo utilizar designs de sets, figurinos e adereços internos, incluindo automóveis, para gerenciar custos e o processo criativo. Essa estratégia de controle se estendia à intermediação de veículos, em vez de depender de empresas independentes especializadas na indústria cinematográfica, o que explica o envio de imagens de carros para a SIP entre 1936 e 1938.

A Legado da Selznick International Pictures

O legado da Selznick International Pictures é marcado por produções icônicas que definiram uma era em Hollywood. O filme mais célebre, sem dúvida, foi o épico de 1939, “E o Vento Levou”. No ano seguinte, a SIP também produziu “Rebecca”, o primeiro filme dirigido por Alfred Hitchcock para o estúdio. Com as transformações que ocorreram na indústria cinematográfica durante a Segunda Guerra Mundial, Selznick reestruturou a empresa. Ele encerrou as operações da SIP com o objetivo de liquidar a companhia e mitigar as responsabilidades fiscais sobre os lucros expressivos de “E o Vento Levou”.

Posteriormente, em 1943, Selznick fundou a Vanguard Films. Nesta nova fase, ele se distanciou da produção geral de filmes, devolvendo os estúdios à RKO. Os estúdios, que ainda existem hoje como Culver Studios, ocupam uma área física menor desde a década de 1970. Apesar do fim da SIP, o impacto de suas produções e a forma como Selznick gerenciava os recursos, incluindo a busca por veículos únicos, deixaram uma marca indelével na história do cinema. Resta a esperança de que alguns dos carros submetidos à SIP naquela época ainda existam, embora a participação efetiva deles em filmes seja incerta.

O Excêntrico ZzzzZip: Um Candidato Inusitado para as Telas

Entre os veículos enviados ao gerente de propriedades da Selznick International Pictures, com o intuito de serem utilizados em filmes, estava o peculiar ZzzzZip, uma criação de J.B. Seiler. Felizmente, um documento datado de 5 de outubro de 1938, escrito pelo próprio Seiler, acompanha as fotografias e oferece detalhes sobre seu singular automóvel. A carta descreve a concepção e a construção do veículo, que consumiu dois anos de tempo livre de Seiler.

Seiler detalha que o chassi e o motor são de um Dodge, equipados com um motor de seis cilindros e dupla carburação. A carroceria foi construída com chapas metálicas de espessura considerável, rebitadas com inserções de duralumínio. O painel de instrumentos era notavelmente equipado com diversos medidores e um controle manual de avião de quatro posições para o acelerador, avanço e outras funções. O para-brisa era composto por duas seções laterais de Pyralyn, um tipo de plástico nitrocelulósico similar ao celuloide, fabricado pela duPont, com a seção central em vidro de segurança.

O ZzzzZip acomodava dois passageiros em tandem e possuía uma cobertura retrátil deslizante, também feita de Pyralyn. O veículo contava com dois tanques de combustível: o traseiro era o principal, enquanto o dianteiro servia como reserva de emergência. Seiler orgulhosamente mencionava um consumo de até 25 milhas por galão com sua “engenhoca”, como ele a chamava. Ele também observou que as placas de licenciamento, embora necessárias para circulação em vias públicas, poderiam ser facilmente removidas para uso em propriedades privadas ou locações de filmagem, preservando a estética única do carro.

Inovações e Potencial Cinematográfico do ZzzzZip

J.B. Seiler expressava seu desejo de apresentar o ZzzzZip pessoalmente ao representante da SIP, acreditando que uma demonstração ao vivo permitiria uma melhor apreciação de suas qualidades únicas. Ele esperava um retorno após a visualização das imagens e a leitura das informações fornecidas. A carta, escrita com entusiasmo, reflete a confiança de Seiler no potencial de seu projeto como um elemento visualmente interessante para o cinema.

A menção ao Pyralyn é um detalhe interessante que contextualiza a época. Esse material, promovido intensamente pela duPont após a Primeira Guerra Mundial, representava uma inovação em termos de materiais plásticos utilizados na indústria. A escolha do Pyralyn para o para-brisa e a cobertura deslizante demonstra a busca por soluções modernas e esteticamente agradáveis na construção do ZzzzZip. A capacidade do carro de obter uma boa quilometragem, algo incomum para veículos de desempenho da época, também era um ponto a seu favor, especialmente em um contexto de produção cinematográfica onde os custos eram sempre uma consideração.

O Futuro Incerto e o Legado dos Carros de Cinema

Embora a participação efetiva do ZzzzZip ou de outros veículos submetidos à SIP em filmes permaneça em grande parte desconhecida, o processo em si revela um aspecto fascinante da produção cinematográfica da era de ouro de Hollywood. A busca por elementos visuais únicos e a forma como os estúdios interagiam com criadores independentes como J.B. Seiler demonstram a complexidade e a criatividade envolvidas na criação de mundos e histórias para o público.

A história da Selznick International Pictures, com seus sucessos estrondosos e sua gestão meticulosa, serve como um estudo de caso sobre a ambição e a visão artística em Hollywood. A forma como David O. Selznick navegou pelas complexidades da indústria, desde a busca por veículos até a produção de obras-primas cinematográficas, continua a inspirar e a fascinar. A cada imagem de um carro antigo submetida a um estúdio, abre-se um portal para um passado onde a inovação automotiva e a magia do cinema caminhavam lado a lado, moldando a paisagem cultural de uma época.

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