Economia

Boulos descarta compensar empresas pelo fim da escala 6×1 e compara com aumento do salário mínimo

Boulos critica compensações para empresas pelo fim da escala 6×1 e defende redução da jornada como prioridade para trabalhadores

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), declarou nesta quarta-feira que a discussão sobre compensar empresas pelo fim da escala 6×1 e a consequente redução da jornada de trabalho não é “razoável”.

Segundo Boulos, oferecer incentivos financeiros às empresas nesse contexto seria o mesmo que propor contrapartidas para o reajuste do salário mínimo, uma ideia que ele considera absurda.

A declaração foi feita em Brasília, durante a análise de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo um dia a mais de descanso. Acompanhe os detalhes dessa polêmica.

Proposta de Nikolas Ferreira é alvo de críticas

A ideia de compensar os empresários pela mudança na jornada de trabalho partiu do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Em abril, ele apresentou uma emenda à PEC sugerindo que o custo da redução da jornada não fosse totalmente repassado às empresas, argumentando que a medida poderia gerar desemprego e informalidade.

Ferreira afirmou que “empurrar para as empresas o custo seria caridade com o chapéu alheio”. A proposta de fim da escala 6×1 e redução da jornada tramita no Congresso Nacional, com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), dando prioridade à PEC.

Governo Lula aposta na redução da jornada como bandeira eleitoral

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem investido na proposta de extinção da escala 6×1 e na redução da jornada semanal de trabalho como uma importante bandeira de campanha em ano eleitoral. A medida, que já é uma das prioridades do governo, busca fortalecer a imagem do executivo junto aos trabalhadores.

Guilherme Boulos tem atuado como uma espécie de porta-voz do governo nas redes sociais, defendendo as principais ações e medidas que visam a recuperação da imagem do governo Lula. Além do fim da escala 6×1, Boulos tem reforçado o discurso sobre a capitalização do fim da taxa das blusinhas e a criação de linhas de financiamento para motoristas de aplicativos e taxistas.

Boulos alinha discurso com a base trabalhadora

Boulos tem utilizado o discurso de “nós contra eles” para alinhar o Congresso Nacional com a pauta dos trabalhadores. Ele afirma que a redução da jornada de trabalho é uma pauta da “família do trabalhador brasileiro” e que ser a favor dessa medida é estar do lado do povo mais humilde.

O ministro compara a discussão sobre compensação para empresas com o aumento do salário mínimo: “Alguém chegou a propor compensação para as empresas quando há aumento de salário mínimo no Brasil? Não, não seria razoável. Se alguém propusesse isso talvez fosse alvo de chacota”, declarou Boulos.

Estudos apontam impactos econômicos diversos

Apesar do forte apoio governamental e da defesa enfática de Boulos, uma série de estudos tem apontado que a redução da jornada de trabalho, nos moldes estimados pelo governo, poderá gerar impactos econômicos diversos. Entre os pontos levantados estão a possibilidade de aumento da inflação e do desemprego.

Atualmente, a Constituição Federal estabelece uma jornada de trabalho de até oito horas diárias e 44 horas semanais. A escala 6×1, criticada pela proposta, permite descansos rotativos, desde que seja assegurado ao menos um domingo de folga ao mês para o trabalhador.

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