Guerra na Ucrânia e Irã: Exército Brasileiro Repensa Defesa com Drones e Mísseis, Diz Gazeta do Povo
Guerra na Ucrânia e Irã: Exército Brasileiro Repensa Defesa com Drones e Mísseis, Diz Gazeta do Povo
As recentes guerras na Ucrânia e no Irã serviram como um alerta para o Exército Brasileiro, impulsionando uma profunda reformulação em suas estratégias de defesa. A nova Política de Transformação do Exército, lançada em abril, reflete um choque de realidade: o orçamento limitado exige priorização de tecnologias mais acessíveis e decisivas nos conflitos modernos, como drones e mísseis, em detrimento de equipamentos dispendiosos e menos adaptados à nova dinâmica bélica.
Em vez de investir em submarinos, caças e blindados, que demandam altos custos e podem se tornar obsoletos rapidamente, as Forças Armadas brasileiras agora se concentram em soluções como drones de ataque, sistemas de sensores avançados, radares e defesas antiaéreas. Essa mudança estratégica, detalhada pela reportagem da Gazeta do Povo com base em fontes envolvidas no processo, visa adaptar o Exército à realidade até 2043.
A análise dos conflitos internacionais revelou como nações com recursos inferiores, como Ucrânia e Irã, conseguiram resistir a potências militares com estratégias inovadoras e uso inteligente de tecnologia. O Exército Brasileiro reconhece a necessidade de se modernizar para proteger infraestruturas críticas e a população contra ameaças cada vez mais sofisticadas. Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, essa nova política é fruto de um choque de realidade.
Drones: A Nova Lógica da Guerra e Prioridade Estratégica
O uso de drones revolucionou a forma de combater, oferecendo um custo-benefício altíssimo. Um drone aéreo, com um investimento inicial relativamente baixo, pode destruir alvos que custaram milhões, como tanques, navios e refinarias. Essa capacidade, antes subutilizada pelo Exército Brasileiro para fins de observação e vigilância, ganhou força com a análise dos conflitos recentes.
A visita de emissários do Exército a fabricantes de drones no exterior, como na Turquia, demonstra o interesse em adquirir tecnologias que provaram sua eficácia, como os drones turcos que auxiliaram na defesa de Kyiv. O Brasil classifica os drones em quatro categorias, desde modelos comerciais adaptados para missões de reconhecimento e ataque com pequenas granadas ou explosivos, até sistemas de grande porte, comparáveis a pequenos aviões, capazes de atingir alvos a milhares de quilômetros.
O coronel de Cavalaria da reserva Paulo Filho, colunista da Gazeta do Povo, avalia que a incorporação de drones é um pilar central do novo plano. Há um forte interesse em que essa produção seja nacional, estimulando a indústria brasileira e reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros, um risco evidenciado pela Ucrânia, que enfrentou dificuldades no fornecimento de munições. A ameaça do uso de drones por grupos armados e organizações criminosas na América do Sul, com casos como o da Colômbia registrando dezenas de mortes militares em 2024, reforça a urgência dessa adaptação.
Tecnologia de Sensores e Defesa Antiaérea em Foco
A prioridade estratégica agora inclui um sistema integrado de sensores, que abrange desde postos de observação simples até radares avançados e aeronaves de vigilância. O aprimoramento do Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras) é um passo inicial crucial para compartilhar informações em tempo real entre as diferentes estruturas militares, integrando-se a sistemas da Aeronáutica e da Marinha.
O objetivo é detectar e rastrear ameaças em todos os ambientes, incluindo mísseis e enxames de drones, como visto na Ucrânia. A busca por “sensores quânticos” no futuro promete identificar assinaturas eletromagnéticas mínimas, uma tecnologia que, segundo relatos, teria sido utilizada para localizar um aviador americano em território iraniano.
A defesa antiaérea, antes considerada complementar, agora é vista como essencial para proteger forças militares, reduzir baixas civis e manter o moral da população. O Brasil possui poucos radares de defesa, limitados a sistemas de curta distância e à aviação de caça. O programa Astros-Fogos foi unificado para incorporar a defesa antiaérea, integrando sistemas de ataque, monitoramento e proteção aérea, com mísseis capazes de atingir alvos a 300 km.
Reotimização de Recursos e Redução de Tropas de Prontidão
A modernização não significa o abandono das forças tradicionais, como blindados e artilharia. Contudo, haverá uma reotimização de recursos, concentrando investimentos em capacidades mais efetivas para os conflitos contemporâneos. O número de projetos estratégicos será reduzido de 13 para 6, e unidades militares em áreas seguras poderão ser realocadas ou desativadas.
A nova estratégia prioriza inteligência, mobilidade rápida e concentração de forças em áreas sensíveis. Um exemplo dessa nova lógica foi o deslocamento rápido de tropas e equipamentos para a fronteira de Roraima durante a tensão entre Venezuela e Guiana. Além disso, o Exército optou por diminuir o efetivo em estado de maior prontidão de 40% para 20%.
A reformulação busca criar uma capacidade de dissuasão mais compatível com a realidade econômica brasileira, priorizando a aquisição de tecnologias estrangeiras associada à transferência de conhecimento, embora haja um esforço contínuo para ampliar a produção nacional em áreas estratégicas. A dependência de fornecedores externos em tempos de guerra é um risco que o Brasil busca mitigar.

