Salim Mattar: O Empreendedor Liberal Que Transformou a Localiza em um Império e Luta por um Brasil com Menos Estado
Salim Mattar: A Jornada de um Ícone Liberal que Construiu um Gigante e Desafia o Status Quo Brasileiro
Salim Mattar é mais do que um empresário de sucesso. Ele é a personificação de uma convicção liberal que o acompanha desde a juventude, transformando a própria história em uma verdadeira cruzada pela liberdade de empreender.
Sua jornada, que começou com a fundação da Localiza, uma das maiores empresas de mobilidade da América Latina, é um testemunho de como o espírito empreendedor pode prosperar mesmo em cenários desafiadores.
Mattar acredita firmemente que o liberalismo é o caminho para a prosperidade do Brasil e dedica-se hoje a disseminar essa visão por meio de seus institutos, buscando inspirar uma nova geração de líderes. Conforme divulgado pela Gazeta do Povo, ele afirma que “a única forma de colocar o Brasil no caminho da prosperidade é através do liberalismo”.
A Semente Liberal Plantada na Juventude
A formação intelectual de Salim Mattar foi moldada desde cedo por leituras que fugiam do comum no ambiente escolar brasileiro. Aos 16 anos, teve contato com “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, e no ano seguinte, com “O Caminho da Servidão”, de Friedrich Hayek. Essa base intelectual, combinada com uma experiência prática precoce no comércio de seu pai, forjou seu pragmatismo e a aversão a desvios.
A disciplina rígida em casa e a negação de um pedido para estudar piano, em favor de um futuro no comércio, reforçaram sua mentalidade focada em resultados e na assunção de responsabilidades desde cedo. Essa experiência inicial moldou a visão de que “enquanto o Estado gigante gera pobreza e desigualdade, o empreendedorismo delega aos indivíduos e à iniciativa privada o protagonismo na economia e na sociedade”.
Da Frota de Fuscas ao Liderança de Mercado
A ideia para a Localiza surgiu aos 17 anos, ao calcular o potencial de retorno de uma locadora de veículos. Apesar do contexto adverso do primeiro choque do petróleo, Mattar, com o apoio de Antônio Cláudio Brandão Resende, iniciou a operação com seis Fuscas usados. A dedicação era total, com os próprios sócios cuidando de todas as etapas operacionais, incluindo dirigir, lavar e até dormir no escritório para garantir o atendimento.
Essa postura de agir mesmo contra as recomendações de cautela se repetiu em momentos cruciais, como a expansão para fora de Minas Gerais em 1979, em meio a um novo choque do petróleo. Ignorando o conselho externo de recuar, a empresa seguiu uma estratégia de expansão gradual, tornando-se líder nacional em 1981.
A Localiza se consolidou através da capacidade de transformar problemas em oportunidades. A criação da divisão de seminovos, por exemplo, eliminou intermediários na venda de veículos, capturando margem e transformando um custo em uma engrenagem lucrativa. A “conta de libanês” que calculou em 1997, ao receber uma proposta de investimento de um fundo americano, demonstrou o potencial de crescimento exponencial da empresa, que acumulava cerca de US$ 40 milhões em patrimônio, enquanto o aporte proposto era superior.
A Cruzada pelo Liberalismo no Setor Público e na Sociedade
A experiência no setor público, ao assumir a Secretaria de Desestatização em 2019, a convite de Paulo Guedes, consolidou ainda mais suas convicções liberais. Apesar de classificar a experiência como “única, impagável e espetacular” pelo aprendizado adquirido, Mattar teceu críticas contundentes ao que chamou de “Leviatã” burocrático, descrevendo um sistema “feito para não funcionar”.
Ele se deparou com uma máquina pública gigantesca e travada, frustrando-se com a impossibilidade de avançar na privatização de estatais estratégicas como Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras. Mattar defendeu abertamente a privatização da Petrobras como forma de solucionar greves de caminhoneiros e reiterou a necessidade de um Estado menor, enxuto e eficaz.
Hoje, mesmo desligado da Localiza e da esfera pública, Salim Mattar mantém sua missão de “fazer o desmonte da máquina pública nas esferas federal, estadual e municipal para ter um Estado menor, enxuto e eficaz em um ambiente de liberdade”. Ele critica a elevada carga tributária que, segundo ele, alimenta um Estado lento, pesado e burocrático, gerando privilégios e corrupção.
A Batalha pelas Mentes e o Futuro do Brasil
A frustração com os entraves no programa de desestatização levou Mattar a redirecionar seus esforços para o campo das ideias. Inspirado por figuras como Antony Fisher, fundador do Institute of Economic Affairs, e o impacto de Margaret Thatcher, ele aposta na disseminação do pensamento liberal.
Mattar acredita que a verdadeira transformação do Brasil virá da cultura e da educação da juventude. Ele investe na formação de novas lideranças, com a convicção de que “uma certa hora um jovem vai passar pelos bancos dos nossos estudos e chegar lá”, capaz de implementar as ideias que considera essenciais para um futuro próspero e livre.

