Flávio Bolsonaro: 48% pedem renúncia da candidatura após vazamento de conversas com banqueiro Vorcaro, aponta Datafolha
Pesquisa Datafolha expõe pressão sobre Flávio Bolsonaro após divulgação de áudios e mensagens com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, gerou forte repercussão e dividiu a opinião pública. Uma pesquisa inédita do Datafolha, realizada entre os dias 20 e 22 de maio, revela que quase metade dos eleitores acredita que o senador deveria desistir de sua candidatura presidencial.
Os dados apontam uma significativa pressão sobre Flávio Bolsonaro, com 48% dos entrevistados defendendo que ele abra mão da disputa e apoie outro nome. Em contrapartida, 44% acreditam que o senador deve manter sua candidatura, enquanto 8% não souberam responder. A pesquisa foi realizada uma semana após a revelação das mensagens pelo site The Intercept Brasil.
Ainda segundo o levantamento, 72% dos consultados percebem uma relação próxima entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, indicando que a divulgação das conversas intensificou a percepção pública sobre os laços entre os dois. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Apoio dos eleitores de Flávio Bolsonaro se mantém forte, mas com ressalvas
Apesar da pressão externa, o núcleo de eleitores de Flávio Bolsonaro demonstra lealdade. Para 88% dos que pretendem votar no senador, ele deve manter a candidatura, mesmo após a polêmica. Apenas 10% desses eleitores acreditam que ele deveria desistir. Essa forte fidelidade contrasta com a opinião geral da população.
A pesquisa também investigou a percepção sobre a atitude do senador. Após ouvir o contexto em que Flávio Bolsonaro buscou apoio financeiro de Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro, 64% dos entrevistados consideraram que o senador agiu mal. Apenas 25% avaliaram a atitude como positiva.
Conversas revelam pedido de apoio financeiro e proximidade com o banqueiro
Nas conversas divulgadas, Flávio Bolsonaro expressa forte lealdade ao banqueiro, afirmando: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”. Essa declaração reforça a percepção de 72% dos entrevistados sobre a proximidade entre os dois.
Flávio Bolsonaro confirmou a existência das conversas, mas negou ter oferecido ou recebido vantagens, descrevendo a situação como um pedido de “patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. No entanto, a justificativa não convenceu a maioria dos eleitores consultados.
Cenário eleitoral: Lula amplia vantagem e Flávio Bolsonaro avaliado em segundo turno
A pesquisa Datafolha também apresentou um cenário eleitoral para 2026, indicando que, em um eventual segundo turno, o presidente Lula lidera com 47% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, a vantagem de Lula sobre o senador aumentou para nove pontos, com 40% contra 31%.
O levantamento revelou ainda que apenas 30% dos entrevistados tomaram conhecimento das conversas e se sentem bem informados sobre o caso, enquanto 36% afirmaram não ter conhecimento do episódio. Isso sugere que a polêmica ainda pode ter um impacto maior à medida que mais eleitores se informarem.
Futuro da candidatura: Michelle Bolsonaro surge como favorita para apoio
Caso Flávio Bolsonaro decida não concorrer, a pesquisa aponta que 39% dos entrevistados avaliam que ele deveria apoiar Michelle Bolsonaro. Outros nomes como Eduardo Bolsonaro (10%), Romeu Zema (17%) e Ronaldo Caiado (17%) também foram mencionados como possíveis apoiados.
A pesquisa, realizada em um momento delicado para a imagem do senador, oferece um panorama da opinião pública e dos desafios que Flávio Bolsonaro enfrenta em sua trajetória política, especialmente em relação à transparência e à percepção de proximidade com o setor financeiro.

