ANTT suspende testes de novos radares de velocidade média em rodovias federais

ANTT interrompe testes de radares de velocidade média e anuncia necessidade de novos ajustes

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu temporariamente os testes com radares projetados para calcular a velocidade média dos veículos em rodovias federais concedidas. A decisão interrompe um projeto-piloto que havia sido recentemente autorizado em trechos de oito estados brasileiros, o que inclui a importante Ponte Rio-Niterói. A agência justificou a medida pela necessidade de aprimoramentos técnicos, procedimentais e operacionais, com foco especial na sinalização das vias e na comunicação com os motoristas.

Segundo a ANTT, nenhum condutor foi autuado ou penalizado durante a curta fase de testes. A suspensão, determinada por decisões da Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (Surod) publicadas no Diário Oficial da União, não significa o cancelamento definitivo do projeto. A retomada dependerá de uma nova manifestação da superintendência, após a revisão dos estudos e a implementação das melhorias necessárias. A agência não estabeleceu um prazo para a conclusão dos ajustes nem para o retorno dos testes.

O projeto havia sido autorizado em 11 de setembro, com anúncio oficial para início dos experimentos em condições reais de operação no dia 14 do mesmo mês. Contudo, apenas quatro dias depois, em 18 de setembro, a agência decidiu pela interrupção. Os atos de suspensão foram publicados em 21 de setembro, determinando que os testes permaneçam paralisados “até nova decisão” da Surod, indicando que a iniciativa pode ser retomada após as correções.

Entenda como funcionam os radares de velocidade média

Diferentemente dos radares convencionais, que registram a velocidade instantânea em um único ponto, o sistema de velocidade média monitora o veículo em dois locais distintos da rodovia. A partir da distância entre esses pontos e do tempo que o veículo leva para percorrer o trecho, o sistema calcula a velocidade média desenvolvida. Se o tempo for inferior ao mínimo necessário para respeitar o limite de velocidade da via, o motorista é considerado infrator. Essa tecnologia visa neutralizar a prática de frear pouco antes do radar e acelerar logo após, pois o monitoramento abrange todo o percurso.

Os testes tinham como objetivo avaliar a precisão das medições, o funcionamento dos equipamentos em cenários reais e possíveis alterações no comportamento dos motoristas. A Ponte Rio-Niterói era um dos locais selecionados para o projeto, com um trecho de 9,02 km na BR-101 (sentido Niterói) previsto para o monitoramento. A escolha se deu pelas características da ponte, como sua extensão e fluxo diário de veículos, ideais para verificar a manutenção da velocidade ao longo do percurso.

Abrangência e impacto da suspensão

O projeto-piloto previa a instalação dos radares em rodovias federais concedidas e em alguns trechos estaduais associados em oito estados: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Algumas autorizações previam um período experimental de até 180 dias. É importante ressaltar que a suspensão destes testes não afeta o funcionamento dos radares convencionais já existentes nem as multas aplicadas por eles. Da mesma forma, não impacta as infrações flagradas por outros tipos de radares inteligentes. O que está em pausa é unicamente este projeto-piloto de velocidade média.

A iniciativa faz parte das ações de segurança viária alinhadas à Década de Ação pela Segurança no Trânsito da ONU, que busca reduzir mortes e lesões no trânsito em pelo menos 50%. A ANTT reitera que, após os ajustes e aprimoramentos, informará os próximos passos. Até lá, os radares de velocidade média não gerarão multas ou penalidades para os condutores.

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